‘Duél’ é o título do novo álbum do ucraniano Jinjer, que nos oferece um disco ainda mais sombrio, agressivo e maduro. Como já era de se esperar, o trampo reflete bem o momento vivido pela banda e por seu país, trazendo uma carga política que podemos sentir em cada faixa do disquinho.
Musicalmente o que recebemos é o Djent com muita técnica – marca já registrada do Jinjer. Isso fica claro já na abertura com ‘Tantrum’, faixa diretíssima, mostrando que o grupo não está para brincadeira. Os vocais de Tatiana Shmayluk – sempre um destaque – continuam incríveis, segue alternando entre guturais e limpos com uma naturalidade sobrenatural (foi legal o jogo de palavras, vai?).
Já o instrumental – junto desde 2017, se não me engano, – é sempre muito correto e criativo. A cozinha, formada por Eugene Abdukhanov no baixo e Vlad Ulasevich na bateria, mostra sua força com grooves complexos. Material que se completa com o ótimo guitarrista Roman Ibramkhalilov e sua técnica afiadíssima. O que esse cara consegue manter de peso ao vivo é digno de medalha olímpica!
Um ponto que na minha opinião sempre se destaca no material do Jinjer são as letras. Desde que comecei a acompanhar a banda, foi algo que sempre “clicou” comigo, só que nesse álbum ele ficou ainda mais profundo. Como disse acima, está clara a influência que a guerra operou nos textos: aqui temos material ainda mais denso, escuro e filosófico.
Prova disso é a faixa ‘Someone’s Daughter’, que em seu texto homenageia figuras femininas históricas e reflete sobre força e identidade. É uma faixa poderosa, não apenas musicalmente, mas também no conteúdo que carrega. Mas o material todo é repleto de belos e profundos versos: faixas como ‘Kafka’, ‘Green Serpent’, ‘Hedonist’, ‘A Tongue So Sly’ e a faixa-título não me deixam mentir.
Todo o disco é interessante, os arranjos contam com mudanças bruscas de andamento e passagens pesadíssimas que beiram o caos, mas nunca perdem o controle, graças a produção certeira do já parceiro de longa data Max Morton que consegue manter todo o peso sem embolar o som.
Pra não dizer que sou um véio chato, deixo aqui meu comentário sobre a capa, muito, mas muito feita mesmo que destoa totalmente do da altíssima qualidade do resto do material. Por sorte, o encarte é bem caprichado e dá uma “salvada” nesse quesito.
Na minha opinião ‘Duél’ é o álbum mais pesado, técnico e emocional do Jinjer até aqui. Um material – mesmo que feito sobre a triste circunstância de ter seu país em guerra – muito equilibrado e altamente maduro que não só mantém a banda entre os principais nomes da nova safra do Metal como a eleva a umas das grandes potências.
Tracklist:
Tantrum
Hedonist
Rogue
Tumbleweed
Green Serpent
Kafka
Dark Bile
Fast Draw
Someone’s Daughter
A Tongue So Sly
Duél

