‘Ihsahn’, é o novo disco homônimo do lendário multi-instrumentista – e gênio – norueguês. O trampo mais uma vez é uma declaração artística ambiciosa, marca registrada do músico.
Em seu oitavo disco completo, Ihsahn entrega uma obra que divide-se em dois mundos: um lado metal e outro orquestral, ambos compostos com o mesmo cuidado e atenção aos detalhes, como se fossem espelhos de um mesmo universo sombrio.
Lançado em 2024 pela Candlelight Records, o álbum é fruto de mais um mergulho profundo em sua própria identidade musical, unindo décadas de experiência na mescla do Metal Extremo, experimental, progressivo com música erudita.
São 11 faixas lançadas em dois discos, um com versões pesadas e outro com versões sinfônicas das mesmas músicas. Cada uma delas oferecendo uma perspectiva distinta, mas igualmente interessante. Aqui nesta resenha uso apenas a versão “pesada,” que é a que eu tenho e acredito ser a oficial.
O CD explora todo o arsenal que consagrou Ihsahn como um dos músicos mais respeitados do Prog Black Metal: riffs intrincados, vocais ora guturais, ora limpos, passagens atmosféricas e uma produção sofisticada. Faixas como ‘Pilgrimage to Oblivion’ (minha favorita do disco atualmente), ‘Twice Born’ e ‘The Promethean Spark’ são exemplos perfeitos da simbiose entre agressividade e refinamento melódico/sinfônico que marcam a carreira do músico.
E quando falamos da “versão pesada” pode acreditar, você que é saudosista do Emperor – como eu – em muitas passagens dá pra sentir aquele gostinho único da clássica banda. Mas ressalto que o trabalho não fica preso ao passado, nem soa forçado. Ao longo do álbum, Ihsahn transita com maestria entre o caos e a ordem, entre o peso brutal e a delicadeza sinfônica, mostrando que sua genial visão artística vai muito além dos rótulos.
A versão que eu tenho, como disse, é a “pesada” em jewel case, mas o encarte é caprichado e não deixa a dever em nenhum aspecto de impressão ou qualidade do material. Já a capa e toda a identidade visual é sensacional, mínimo que eu espero dos trampos do homi.
Já a versão “sinfônica” eu acabei ouvindo no Spotify (sim, traí minhas manias) e é bem legal, mas na minha opinião não chega perto da qualidade da versão com guitarras pesadas e urros maléficos.
‘Ihsahn’ é, em essência, o retrato maduro de um artista que nunca parou de evoluir. Um trabalho meticuloso, ousado e profundamente pessoal, que reafirma o norueguês como um dos nomes mais criativos e respeitados do Metal contemporâneo.
Tracklist:
Cervus Venator
The Promethean Spark
Pilgrimage to Oblivion
Twice Born
A Taste of the Ambrosia
Anima Extraneae
Blood Trails to Love
Hubris and Blue Devils
The Distance Between Us
At the Heart of All Things Broken
Sonata Profana
Comprar o CD no site da Candlelight Records.

