Dono de um talento ímpar e carisma tal quanto, o sueco Mikael Stanne tem se mostrado mais um viciado em trabalho (ou pro queridão que gosta mais do internacional: workaholic) do Metal, no período de um ano o cara lançou três (isso mesmo) álbuns por três (isso mesmo de novo) bandas diferentes. TODOS de altíssimo nível.
Para quem não sabia, a bandas são Cemetery Skyline, The Halo Effect e o gigante Dark Tranquillity. Vai por mim, são todas obras no mínimo, ótimas. Aqui, agora, falaremos do novo disco do The Halo Effect.
Sob o título ‘March of the Unheard’, o segundo álbum do supergrupo reafirma seu papel como um dos grandes curadores do legado do Melodic Death Metal sueco. Além de nosso caro Mikael Stanne, o The Halo Effect é composto por outras lendas do estilo como Jesper Strömblad, Daniel Svensson, Peter Iwers e Niclas Engelin que também tem passagem pelo In Flames e outras bandas menos conhecidas, mas de mesma qualidade musical, como Dimension Zero, Cyhra e Gardenian.
E o que temos aqui é uma visita às raízes do Som de Gotemburgo que esses caras ajudaram a criar. Mas sem soar datado ou forçado, o álbum soa moderno assim como sua produção.
No geral – ao meu ver – ‘March of the Unheard’ soa mais ambicioso que seu antecessor, mais como uma banda e menos como um projeto feito para relembrar velhos tempos. A canções equilibram peso e melodia de forma cirúrgica, com riffs encorpados, refrões marcantes e a performance vocal poderosa de Stanne, que continua a provar, disco-após-disco o porquê de ser um dos mais admirados cantores do Metal.
A produção do conterrâneo Oscar Nilsson é outro destaque: limpa, pesada e com espaço suficiente para cada instrumento respirar. Tudo soa moderno, mas sem soar plástico ou forçado, respeitando a categoria dos músicos.
Outro destaque é a capa e toda arte e layout do encarte, que capricho! Talvez pro pessoal mais novo que não viveu a era do CD (que os amigos colecionadores de vinil me perdoem, mas meu carinho é pelo Compact Disc), não sabe como é bom pegar aquele encarte gorduchinho, sentir o cheirinho da impressão e folhear… Ah… Enfim, aqui tem tudo isso e feito com altíssima qualidade. Meus agradecimentos à Shinigami por manter isso na versão nacional.
É bem nítido ao longo do disquinho, que o The Halo Effect parece buscar não só a nostalgia Death Melódico do final dos 90 e início dos 2000, mas também criar sua própria música.
Claro, algumas faixas lembram sim In Flames e Dark Tranqullity antigos, mas sempre com um frescor que evita qualquer sensação de cópia ou preguiça. O álbum é melancólico, furioso e empático — como se falasse diretamente à geração que cresceu com esses sons, mas que hoje os encara sob outra perspectiva.
Não diria que é um renascimento ou mesmo um retorno às raízes do movimento sueco, mas ‘March of the Unheard’ prova que ainda há muito a ser feito dentro do Melodic Death Metal, especialmente quando feito com paixão e raça! É um disco que honra o glorioso passado, sem abrir mão de seguir em frente. Ah, a versão nacional vem com 3 bônus!
Tracklist:
Conspire To Deceive
Detonate
Our Channel To The Darkness
Cruel Perception
What We Become
This Curse Of Silence
March Of The Unheard
Forever Astray
Between Directions
A Death That Becomes Us
The Burning Point
Coda
Path Of Fierce Resistance*
The Defiant One*
Become Surrender*
Compre o CD pelo site da Shinigami Records.

