Se você, assim como eu, viveu a era mágica dos PC Games nos meados dos anos 90, provavelmente carrega na memória o som dos disquetes rangendo no drive enquanto instalava obras-primas dos videogames. E poucas são tão memoráveis quanto The Secret of Monkey Island.
Lançado originalmente em 1990 pela genial LucasArts, destaco aqui os nomes de Ron Gilbert, Tim Schafer e Dave Grossman: os “responsáveis” por essa obra-prima.
Naquela época, os jogos não vinham em downloads instantâneos. Normalmente era um box lindo com livretos, folhetos e uns até com pôsteres e… disquetes! Eram vários disquetes que precisavam ser pacientemente inseridos um a um (quando nenhum travava) até que a mágica acontecesse: surgia na tela aquele mundo colorido, irreverente e absurdamente criativo, que parecia maior do que qualquer coisa que meu PC poderia comportar.
A LucasArts, que na época ainda se chamava Lucasfilm Games (e meio que voltou a usar esse nome agora), tinha um brilho próprio. Enquanto outras desenvolvedoras apostavam em desafios brutais e game overs impiedosos, eles decidiram que morrer em um jogo não precisava ser uma regra. E Monkey Island é um reflexo perfeito disso: uma aventura onde o humor, os diálogos afiados e as soluções criativas valiam muito mais que reflexos rápidos ou mira precisa.
The Secret of Monkey Island também é um exemplo perfeito de como o gênero point and click parecia feito sob medida para o PC. Usar o mouse para explorar cada cantinho, conversar com personagens hilários e tentar combinar objetos improváveis (quem nunca tentou usar um frango de borracha com roldanas?) fazia parte do charme — e, claro, das risadas garantidas.
Personagens imortais
No centro de tudo está o poderoso pirata (sic) Guybrush Threepwood, um protagonista pra lá de peculiar. Desajeitado, teimoso e incrivelmente carismático, ele tinha um objetivo simples (ou nem tanto): se tornar um temido pirata. E foi impossível não se identificar com aquele sujeito meio perdido, que encarava desafios gigantescos com muito mais cara de pau do que coragem real.
Mas Monkey Island não se resumia apenas a ele. Como esquecer da Governadora e eterno amor, Elaine Marley, da Voodoo Lady, da espadachim Carla, do Otis, do Herman Toothrot, do nosso querido crânio Murray e claro, Stan, o vendedor das mãos agitadas.
Claro que todo o herói tem seu algoz e não há grande herói no mundo que não tenha um grande vilão para fazer seu contraponto. É Aqui que entra o notável e maléfico LeChuck. Sem ele nosso Guybrush nunca teria se tornado (teria?) o grande pirata que buscou ser. LeChuck é, ao mesmo tempo, uma ameaça constante e uma fonte inesgotável de humor. Ele representa aquele vilão clássico , mas reimaginado com o toque sarcástico e bem-humorado que só a LucasArts sabia fazer.

Trilha sonora que deixa o coração quentinho
Se existe algo que gruda na cabeça de qualquer pessoa que já jogou The Secret of Monkey Island – além dos diálogos geniais, claro – é a trilha sonora. Composta principalmente por Michael Land, Peter McConnell e Clint Bajakian, a música do jogo se tornou tão icônica quanto seus personagens. Vai por mim, me arrepia até hoje.
O tema principal, com sua pegada de reggae misturada a sons típicos de aventuras piratas, é simplesmente inesquecível. Aquele arranjo caribenho, cheio de charme e mistério, se tornou um verdadeiro hino para os fãs da série — e até hoje é reconhecido instantaneamente por qualquer jogador véio.
O Remake
Anos mais tarde, em 2009, o jogo ganhou uma versão remake, chamada The Secret of Monkey Island: Special Edition. Além dos gráficos repaginados, o jogo trouxe uma adição que fez toda diferença: dublagem completa. Ouvir Guybrush, LeChuck e toda aquela trupe com vozes reais só deixou a experiência ainda mais divertida, sem perder a essência do original. E o melhor: era possível alternar entre os gráficos modernos e os clássicos com um simples clique — um presente para os fãs das antigas.

Revisitar Monkey Island hoje, seja na sua versão clássica ou no remake, é como folhear um velho álbum de fotos: uma mistura deliciosa de nostalgia e surpresa. E aqui n’O Zumbi Caipira, fica a minha confissão: esse jogo não foi só uma aventura, foi uma parte fundamental da minha formação como gamer.
Se você nunca jogou, fica a dica: prepare seu inventário, afie sua língua para os duelos de insultos e embarque nessa viagem. Afinal, alguns segredos nunca envelhecem.

